sábado, 28 de agosto de 2010


De vez a vez, as lágrimas escorrem sem motivo, as palavras ficam mudas e sem sentido, o coração dói mas já não mais sente.
Olhando ao espelho reflecte-se um perfeito estranho que não mais é de que um ser de cabelo pestilento, sorriso partido, olhos inchados e rasgados de dor, sem vida, respirando sem existir mais oxigénio por onde quer que passe... voltando para a sua reles existência sem provas reais de que existe.
Um dia tudo terá passado, a dor não irá mais existir mais, o tempo terá todo sido percorrido, não existirão mais lágrimas para chorar, mais lamentos, suspiros e tormentas por passar...
Um dia não existirei mais, acabarei de forma inglória arrancando o meu coração e metendo-o numa bandeja de diamante com o teu nome gravado para teres a certeza que tu e apenas tu és o responsável pela minha loucura, pela minha tormenta, pela minha miséria, pelo meu desaparecimento...
Não quer mais que percorras as mesmas pedras da calçada que eu, não mais quero que te delicies com os meus sorrisos, esses que já não mais existem porque tu os matas-te!
Estou farta de lutar por ti e contra ti, estou farta de lutar e nada mais me resta... vou partir sem destinos, vou partir sem voltar, se queres voltar ao passado, procura as minhas pegadas, enfrenta os obstáculos que tu próprio impuseste e um dia talvez voltarei para ti...
Um dia... um dia sim, um dia talvez volte para ti...

quinta-feira, 29 de julho de 2010



Estou farta de ter de ser eu, farta de chorar por não ser capaz de ser como um magnífico muro de pedra impenetrável de emoções. Sinto que te vou perder, que no momento em que abrires as tuas asas e em que levantes voo não mais saberás quem sou para ti.
Sinto-me impotente a tua partida, o meu coração sangra lágrimas de amargura só com a ideia de te não ter mais aqui, de tu partires sem nunca mais regressares, de o futuro nos trazer um verdadeiro adeus.
Olho para as palavras que me dedicaste em versos simples, belos, perfeitos, e sinto que uma parte de mim se esconde na sombra tentando agarrar com força cada segundo de memória criado por nós. Sinto-me perdida, sem chão nem tecto. O céu não é mais azul, a lua perdeu o seu brilho à medida que me afogo neste pranto de desespero.
Sei que em nada és responsável pela nossa separação, mas o meu coração não a consegue aceitar, és-lhe demasiado importante para ele poder vive longe do teu. Os teus batimentos marcam o ritmo dos meus e sem ti do meu lado servindo de guia e inspiração o meu coração perderá o seu ritmo, a sua vivacidade, a sua força, a sua vontade, a sua alegria.
Preciso demasiado de ti na minha vida, sem ti ela não mais tem sentido.
És fonte de felicidade, carinho, amor e eu não quero estar a mais de dois passos do teu abraço.
Quero-te do meu lado sempre, não te afastes mais do que uns breves e tormentosos momentos, preciso de ti para viver.
Tu e eu sempre, e não apenas num sonho!

sábado, 19 de junho de 2010

Lágrima


E do meu rosto escorre uma solitária lágrima gerada por um ciúme irracional que só o amor sabe causar...
Ainda magoa mais do que as lágrimas de tristeza, de dor, pois essas têm uma razão, um algo real que as originou, que as tornou reais e duradouras, mas esta não, esta apenas surgiu porque um sentimento resolveu aparecer sem pedir autorização e brincar um pouquinho comigo...
Não lhe pedi para vir, não o autorizei a entrar e no entanto provoca em mim todas as sensações extremas das quais podemos viver...
Não sei o que reserva este brincar de vontades, entre mim e ele, mas vou deixar as ondas rolar na areia e, se ele quiser, continuarei a chorar muitas destas lágrimas que só ele sabe provocar...
Este amor gerou ciúme, irracionalidade, tudo aquilo que não sou e no entanto não o quero perder... vou-me render ao seu abraço e tentar entender a sua essência...
Será que desta vez tirei direito a ser feliz?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Rebanho


A história das nossas vidas é a mais difícil de alguma escrever, mas é a mais bela que pode alguma vez vir a ser contada independentemente de termos sido grandes heróis ou simples camponeses pois sem nós, simples grãos de areia, a história do mundo não seria a mesma, pois até quem dorme na rua tem a sua história de vida, mesmo que não a valorize, mas sem essas pessoas não existiriam pessoas que se tornassem importantes por fazer campanhas de sensibilização pela sua causa. Portanto até o ladrão tem uma vida importante, não o sabe reconhecer, pode ser visto como uma marginal na sociedade, mas não deixa de ser um membro importante na mesma, sem ladrões, assassinos e violadores o que seria da vida dos polícias?

É verdade que estas personagens sociais são vistas como monstros e que as suas atitudes são depraváveis mas porque vemos só o mal que advêm destes seres e não olhamos para o que já fizeram de bom no passado ao passo que se alguém considerado um ídolo da sociedade cometer uma atrocidade esta é esquecida em detrimento de todo o bem que o mesmo já fez?

Pode parecer que isto é um grito de revolta ou até mesmo de anarquia mas não é disso que se trata aliás sem a “ralé” da sociedade nunca existiria uma hierarquia bem definida pois não existiria uma real base formada, seria difícil dizer a “pessoas de bem” que elas eram o último grupo da sociedade sem que estas levassem isso a peito e se ofendessem, assim tendo os marginais como fundo da tabela tudo se torna muito mais simples pois essas “pessoas de bem” afinal já se podem vangloriar de que não são das mais importantes ou mais prestáveis da sociedade mas ao menos não são iguais aos pobres coitados que se encontram abaixo deles… e mais uma vez estes, que se encontram quase no mesmo lugar que os “marginais”, se esquecem que eles são importantes para a sociedade pois sem eles essas pessoas que os esquecem seriam as últimas, as menos importantes, na sociedade que tanto estimam e seguem como ovelhas cegas num rebanho que apenas ouvem o ladrar do cão e seguem o cheiro da erva…

Quando aparece um desses ditos marginais toda a gente se afasta com medo, ou goza, ou critica sem nunca parar para pensar o porquê daquele ser se ter metido pelos caminhos que o empurraram para o fim da sociedade, para o inferno dos perdidos de onde ninguém sai a não ser que tenha alguém cá do alto a tentar dar-lhe a mão e puxá-lo para junto de si, para uma vida aceite pela sociedade, sim, porque tudo o que fazemos tem de ser aceite pela sociedade ou lá vamos nós também para aquele antro de perdidos.

Será que nunca ninguém pensou que talvez aquele pobre ser apenas queira chamar a atenção, apenas procure companhia, alguém que lhe dê carinho e que não consegue ver outro meio de o obter senão fazendo asneiras e atrocidades aos olhos da sociedade? Se formos a analisar bem as coisas as crianças pequenas quando querem a atenção dos pais têm comportamentos parecidos, também pintam sofás, partem vasos, agridem os próprios pais, só na tentativa de um pouco de atenção, nem que disso advenha uma punição…

Mas se assim é porque é que as crianças não são também empurradas para o fundo da sociedade? Porque ainda não são consideradas parte activa da mesma? Porque não têm consciência dos seus actos?

Então se assim é por questões de consciência até que ponto estará um “marginal” consciente dos seus actos, do que o leva a cometê-los, do porquê de ser assim?

Para estás perguntas não existe ainda resposta, mas não deveria a sociedade perder algum tempo com elas em vez de simplesmente apontar o dedo?

Era bom que assim fosse, que a sociedade fosse capaz de ver mais além e de aceitar até o pior dos seus membros, que todos se sentissem amados pelo menos por uma pessoa e não espezinhados como na realidade acontece.

Até quando será a sociedade assim?