domingo, 31 de maio de 2009


Porque o sonho veio e foi-se embora cedo demais, porque os sentimentos cresceram e foram arrancados pela raiz, porque as promessas foram esquecidas o meu coração sangra...

Olho para o passado e já não vejo futuro, olho para a direita e já não consigo alcançar a última visão que tive da esquerda...

O vento sopra-me na cara e a chuva cai miudinho sobre ela mas as minhas lágrimas são mais, maiores, mais grossas e molhadas e tendem a cair com muito mais intensidade...

Sinto que a minha bússola interior se quebrou, que os pontos cardeais se encontram todos trocados, o meu norte avança em direcção a sul e eu já não me consigo guiar mais neste mundo hostil... o mapa continua intacto, o caminho continua a ser o mesmo mas os meus pés já não o percorrem mais, esqueceram.se o que é andar, já não sabem mais correr...

Agora olho-te, sei que te encontrarei algures no meu coração, mas já não és o mesmo... vejo em ti a alegria passada de uma vida preenchida que agora se encontra completamente vazia e sem sentido... foste um tudo que se tornou em nada, deste-me metade de uma mão que eu queria inteira e esperaste que eu a puxa-se para mim mas eu não tinha forças para tal, nem uma real motivação tua que me levasse a fazê-lo...

Dedicas-me mil e uma palavras doces, de carinho e amor e eu sinto-me à beira de um precipício e que tu me empurras cada vez mais para o abismo...

Quando te quis não te quiseste dar...

Porque é que agora que já consigo viver sem ti queres voltar para mim???


Dói ver-te longe mas "embora doa, nada vai mudar"!

quarta-feira, 27 de maio de 2009


Quero escrever tudo o que sinto mas o mundo à minha volta bloqueia-me os sentidos e não me o deixa fazer...

Quero depositar aqui toda a minha raiva de viver, todo o meu desespero, todo o meu sofrimento mas as palavras não saem mais...

A boca imite sons toscos e confusos que não são mais o que sinto mas o que a sociedade me quer impingir...

Os meus olhos procuram em todas as direcções um esconderijo, um porto de abrigo que me oculte tudo isto e que me encha o peito de palavras de carinho, amor, palaras doces e belas que eu há muito esqueci... mas como sempre a minha procura é inglória e eu continuo perdida, sem ter braços fortes onde me refugiar, continuo a lutar contra a corrente mas esta vai-se tornando cada vez mais forte...

Sou e serei o porto de abrigo de muitos mas porque não sou capaz de encontrar o meu?

quinta-feira, 14 de maio de 2009


Queria escrever um hino de revolta mas as palavras que o descreveriam fogem-me por entre os dedos...

Queria ser capaz de gritar bem alto o quanto me indigna que me passem por cima e se achem superiores a mim e gritar mais alto ainda o quanto odeio que gozem com a minha cara e que odeio ainda mais que brinquem com coisas sérias que podem em muito prejudicar todos os outros que não nós...

O ser humano preocupar-se com os outros está fora de moda e por isso mesmo já ninguém o faz com medo de ser chamado de antiquado, de diferente, de anormal até pelo simples facto de querer que o outro se sinta um pouco melhor consigo mesmo...

Enfim balelas proferidas por pessoas que o que mais querem e fazer sobressair da sociedade sendo apenas mais um elemento neutro da mesma... Os que se preocupam com os outros, esses infelizes, são apelidados de anormais, de rebeldes e de revolucionários, por vezes considerados meros sonhadores por um mundo melhor pelo qual a sociedade tanto clama e tanto destrói com a sua hipócrisia...

Fartei de viver à margem deste mundo de injúrias, fartei de ser uma anormal aos olhos da sociedade só por me dar aos outros, só por tentar proporcionar um pouco mais de momentos de felicidade a todos aqueles que me rodeiam...

Acho que me vou tornar em mais uma conformista, mais um ser neutro que apenas vagueia pela emensidão da multidão, mais um ser invísivel e indiferente a todo o restante mundo...

Para quê me preocupar mais?











E com este pensamento uma lágrima forma-se no canto do meu olho mas é mesquinha ao ponto de não cair e não levar consigo o meu sofrimento...