quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sonho desfeito


Olha-me nos olhos, vê quem eu realmente sou… Consegues identificar em mim um humano igual a ti?
Que tenho eu de tão diferente para me negares o sorriso, a esperança, o sonho? Que te fiz para não me deixares ser feliz?
Mal nasci vi-te a chorar por me teres nos teus braços, não me abraçavas, apenas me sustinhas porque assim te o tinham mandado… Falavas para mim com palavras secas, vãs, desprovidas de sentimento… alimentavas-me o corpo e o meu sofrimento por não seres capaz de me amar…
Deixaste-me crescer mas não fui feliz… ensinaste-me a andar, a comer e a falar mas esqueceste-te de me ensinar a amar, a sorrir, a apreciar os pormenores belos da vida…
Um dia olhaste-me nos olhos e pegaste-me ao colo… Pensei que nesse momento me ias dar finalmente o abraço que eu tanto desejava, que me iria curar todas as feridas anteriormente abertas por ti, mas isso não aconteceu…
Adormeci ainda nos teus braços e acordei numa “cela” onde todos me sorriam mas onde não alcançava o teu rosto, não ouvia mais a tua voz, não sentia mais o teu aroma e gritava por ti: “mãe, mãe, mãe” mas não obtive resposta… tinhas me abandonado numa casa com mil e uma outras crianças como eu mas eu sentia-me só… faltavas-me tu…
Fui crescendo e crescendo até que sai daquela casa onde me tinhas deixado… um dia procurei-te mas nunca te encontrei, descobri que tinhas partido para longe e que ninguém sabia de ti… chorei amargamente a tua decisão, tu tinhas 16 anos mas eu era um bebé de colo…
Posso ter-te feito sofrer por isso desculpa-me, se alguma vez aprendi o que é amor então sei que te amo a ti e só a ti… já te perdoei o que me fizeste…

Mas que te fiz eu de errado para me abandonares?




(P.S. este texto não corresponde à minha realidade familiar mas estava triste e só, resolvi escrevê-lo pois estava em Área de Projecto sendo o meu tema Crianças em Risco)

sábado, 18 de abril de 2009


Olhei nos teus olhos castanhos e já não vi mais o esplendor de outrora...
Eras uma luz no meu caminho, um pequeno ponto de referência na minha vida que desapareceu, que caiu no abismo obscuro do esquecimento por mim criando graças a ti...
Tinhas um sorriso doce, tinhas um olhar meigo, tinhas uma voz melodiosa e uma versão tua que apenas a mim pertencia mas que me roubaste sem perguntar primeiro se eu ia continuar a precisar desse teu eu que era mesmo só meu...
Tu mudaste, o teu mundo não é já mais o mesmo, já não me completas nem fascinas, já não me atrais nem cativas; eu mudei, o meu mundo, que se unia ao teu, passou a ser apenas paralelo a ti, já não te encontro nele, os nossos mundos já não se unem, já não temos motivos para partilhar momentos, risos, esperanças, sonhos, desejos, segredos, brincadeiras, lágrimas, desabafos, receitas de felicidade que só eu e tu sabíamos cozinhar e que agora não fazem mais sentido, perderam metade dos seus ingredientes e com eles perderam também o seu sabor genuíno, perfeito, doce e salgado que só nós sabíamos criar...
Escolheste um caminho que me expulsou da tua vida de forma bruta, dolorosa, frígida e desprovida do carinho que outrora sentiste por mim, isto se realmente alguma vez o fizeste.
Fizeste um escolha que te levou a um bloqueio temporal, comportamental e te tornou egoísta, totalmente dependente de um ser que dizes amar e que te tirou de mim, que te ajudou a esquecer os teus objectivos primários dos quais apenas tens um vislumbre breve de já terem em épocas passadas e intensamente distantes acontecido...
Abriste asas e voaste para o mundo da emoção exagerada e extrema, da demência racional que o teu "amor" criou em ti... respiras mas não é ar que te entra pelos pulmões, falas mas as palavras não são tuas, sonhas mas só com ele... e eu perdi-te nesse labirinto onde não posso entrar porque fechaste-me a porta a cadeado...

Falas-me por obrigação, já não percorres mais as estradas por onde me poderias encontrar pois isso obriga-te a aperceberes-te em que te tornaste e isso dói, magoa mais do que a ausência dos momentos do passado...

Então adormeces e, no teu sonho, acordas no mundo do passado que julgas ainda ser real e vives feliz esquecendo a pouco e pouco quem fez de ti quem és, quem te abraçou quando choraste, quem te apoiou em cada pé levantado pronto a dar um passo e eu fico quieta, esquecida, atrás de uma árvore que me faz sombra e me deixa na obscuridade da lembrança de te ter perdido...


(P.S. não é para o Afonso)

Foste um pássaro livre que voava alegramente nos céus do teu mundo, sem prisões, sem obrigações fúteis sobre nada mais do que aquela que te obriga a pensar em ti e a seres feliz...

Mas um dia isso mudou... encontraste uma janela entreaberta de onde uma figura esbelta se olhava ao espelho e te piscou o olha prendendo-te assim num êxtase de encanto puro e completo que consumia a cada segundo cada força do teu corpo e alimentava de espranças e alegrias vãs o teu coração e entraste pela janela... Não pediste autorização apenas entraste e quando acordaste desse êxtase inicial viste-te dentro de uma gaiola fria, suja, mas não te importaste mais pois o ser esbelto estava ali a olhar-te, a falar-te, a tratar-te como tu querias ser tratado para ele e isso para ti bastava... Não precisasvas mais de voar para ser feliz pois estavas feliz dentro daquela gaiola onde eras admirado e mimado pelo único motivo do teu viver, aquele ser esbelto que te tinha enfeitiçado completamente...

Os dias foram passando e tu continuaste a ser alimentado por esse feitiço, por esse amor que te aprisionava mais do que a própria gaiola e foste vivendo feliz, foste sorrindo, amando, brincando, esperando por um pouco mais desse ser, entregando tudo o que tinhas de melhor ao mesmo e ele continuava ali para ti, quase só para ti...

Até que veio um negro Inverno nos meses de Primavera e o ser não se mostrou a ti... Continuaste à sua espera todos os segundos de todos os dias em que ele não veio e assim se passaram semanas e o teu desespero aumentou...

Um dia ele voltou, e tu voltaste a sorrir, a tua felicidade voltou e esperaste que ele te voltasse a amar do mesmo modo mas ele apenas semi-abriu a porta da gaiola e foi-se embora... Deu-te a oportunidade de voltares a voar mas tu já não sabias como o fazer...
No Inverno que ele te impôs desaprendeste a voar, arrancaram-te as asas, ou melhor, tu próprio deste cabo das tuas asas pois foste arrancando as penas uma a uma e agora não podes voar mais...

O tempo continua a passar e as penas começaram a nascer mas tu hesitas em as rearrancar ou não pois ainda tens a esperança de que ele volte para ti...


Mas isto até quando??

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Olho-te e já não te vejo, deixaste de ser um rosto reconhecível no meu mundo... Deixei de identificar em ti a pessoa que tanto respeitava, amava, admirava e venerava, aquela pela qual se regia a minha vida fugiu de dentro de ti e eu já não te encontro mais nesse corpo inútil sem ti, sem a tua essência, sem a tua presença, sem a tua alma, sem as tuas convicções, sem a tua paixão por viver tão especial para mim...

Que ser és tu? Para quem olho agora? Em que te tornaste? O que fizeste a quem me dava razão de viver? Porque me a tiras-te de maneira tão fria e crua, sem dó nem piedade pelos sentimentos de amargura e vazio que depois depositaste em mim?

Olhas-me com um vulto de dor, mágoa e saudade espelhado no olhar e deixas-me sem forças para resgatar quem perdi...

Fecho os olhos, tento apagar a tua imagem e presença da minha mente ela está demasiado viva no meu ser e eu completamente sem forças para a vencer...

Viro costas, vou-me embora e assim deixo de te ver, de ver o meu reflexo no espelho... parto, deixando para trás uma lágrima a escorrer-me pelo rosto de magoa de não ser mais que sou...

domingo, 12 de abril de 2009


A ferida reabriu, o coração voltou a chorar, a recordação da dor passada voltou para me lembrar que esta tinha acontecido, que não era passageira mas sim eterna...

Parei no tempo e deparei-me com a emensidão do brilho lunar no mar a ofuscar-me a beleza da lua, da vida, do sonho...

Parei, estanquei mas a ferida continua a jorrar, não sara, não cede ao meu apelo de desespero, de agonia, apenas jorra como se eu não importasse mais, não existisse mais, não fosse nada mais que aquela ferida...

Esqueci-me de viver e deparei-me com a infeliz verdade de não ser mais a criança alegre que todos adoravam, que todos mimavam constantemente e passei a ser eu quem mima incondicionalmente, quem chora por ouvir um único suspiro, quem se mata aos poucos em mil preocupações desnecessárias só para que nada falte aqueles que julgo amar... sim julgo amar... já não existe essa palavra moribunda a que todos se referem como certeza... para mim morreu... Instaurou-se em mim a dúvida do ser, do parecer, do sentir, do sofrer pois afinal de que vale tudo isso se não é por ceder a essas certezas que eu me transformo em quem verdadeiramente sou?

Sinto que de nada vale tentar achar essa dita certeza, afinal ela mesma é uma dúvida e leva-me a esquecer de viver...

E parei... e perdi... e esqueci...

Mas porque se recusa a dor em esquecer-se de mim?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O sonho




O sonho nasce da expectativa de ver o novo dia sorrir para o que nós queremos fazer, como queremos fazer e com quem o queremos fazer…
Todos temos sonhos diferentes, momentos, desejos, vivências distintas pelas quais queremos lutar e dessas estão repletos os nossos sonhos…


Sonhamos acordados abraçados ou a dormir entrelaçados sem nunca perdermos a noção que apenas sonhamos por breves momentos e que nem sempre alcançamos a perfeição do sonho sozinhos, temos de procurar ajuda naqueles que nos confortam e nos fazem adormecer e sonhar…


Ligo-te e a tua voz dormente solta uns monossílabos indecifráveis carregados de sono, de tormenta, de mágoa e desgosto… embalo-te com uma voz sorridente e doce até que adormeces lentamente e te ouço respirar sossegadamente do outro lado mostrando que te rendes-te ao sono mas não desligo… limito-me a ficar quieta e calada ouvindo-te respirar, dormir, sonhar, imaginando que estás ao meu lado e que te faço festas no cabelo para o teu sono ser calmo e sereno e se encontrar cheio de sonhos que te acalmem o espírito e te aqueçam o coração…


Sirvo-te de almofada de suspiro e de derramamento de lágrimas mas aguento com palavras de ternura todos os espinhos amargos que me espetas para libertar de ti, precisas de o fazer e a mim não magoam mais quando os ultrapassas…

Apenas desejo que durmas descansado esta noite, amanha o sol brilhará e tu voltarás a ser feliz, tenho a certeza, e enquanto o dia não chega tens aqui a almofada dos sonhos que espanta os teus pesadelos…

Boa noite…

Dorme bem…

Quem sou?

(imagem por Afonso Costa Arribança)



Não interessa quem sou, para onde vou, de onde vim ou o que me transformou em mim, interessa sim saber o que vou fazer com o que sou, o que me vai ajudar a ser mais eu e quem passeia a meu lado na longa caminhada da vida...



Queres ficar para me conhecer? Então segue as minhas pegadas na areia...