sábado, 18 de abril de 2009


Olhei nos teus olhos castanhos e já não vi mais o esplendor de outrora...
Eras uma luz no meu caminho, um pequeno ponto de referência na minha vida que desapareceu, que caiu no abismo obscuro do esquecimento por mim criando graças a ti...
Tinhas um sorriso doce, tinhas um olhar meigo, tinhas uma voz melodiosa e uma versão tua que apenas a mim pertencia mas que me roubaste sem perguntar primeiro se eu ia continuar a precisar desse teu eu que era mesmo só meu...
Tu mudaste, o teu mundo não é já mais o mesmo, já não me completas nem fascinas, já não me atrais nem cativas; eu mudei, o meu mundo, que se unia ao teu, passou a ser apenas paralelo a ti, já não te encontro nele, os nossos mundos já não se unem, já não temos motivos para partilhar momentos, risos, esperanças, sonhos, desejos, segredos, brincadeiras, lágrimas, desabafos, receitas de felicidade que só eu e tu sabíamos cozinhar e que agora não fazem mais sentido, perderam metade dos seus ingredientes e com eles perderam também o seu sabor genuíno, perfeito, doce e salgado que só nós sabíamos criar...
Escolheste um caminho que me expulsou da tua vida de forma bruta, dolorosa, frígida e desprovida do carinho que outrora sentiste por mim, isto se realmente alguma vez o fizeste.
Fizeste um escolha que te levou a um bloqueio temporal, comportamental e te tornou egoísta, totalmente dependente de um ser que dizes amar e que te tirou de mim, que te ajudou a esquecer os teus objectivos primários dos quais apenas tens um vislumbre breve de já terem em épocas passadas e intensamente distantes acontecido...
Abriste asas e voaste para o mundo da emoção exagerada e extrema, da demência racional que o teu "amor" criou em ti... respiras mas não é ar que te entra pelos pulmões, falas mas as palavras não são tuas, sonhas mas só com ele... e eu perdi-te nesse labirinto onde não posso entrar porque fechaste-me a porta a cadeado...

Falas-me por obrigação, já não percorres mais as estradas por onde me poderias encontrar pois isso obriga-te a aperceberes-te em que te tornaste e isso dói, magoa mais do que a ausência dos momentos do passado...

Então adormeces e, no teu sonho, acordas no mundo do passado que julgas ainda ser real e vives feliz esquecendo a pouco e pouco quem fez de ti quem és, quem te abraçou quando choraste, quem te apoiou em cada pé levantado pronto a dar um passo e eu fico quieta, esquecida, atrás de uma árvore que me faz sombra e me deixa na obscuridade da lembrança de te ter perdido...


(P.S. não é para o Afonso)

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