
A ferida reabriu, o coração voltou a chorar, a recordação da dor passada voltou para me lembrar que esta tinha acontecido, que não era passageira mas sim eterna...
Parei no tempo e deparei-me com a emensidão do brilho lunar no mar a ofuscar-me a beleza da lua, da vida, do sonho...
Parei, estanquei mas a ferida continua a jorrar, não sara, não cede ao meu apelo de desespero, de agonia, apenas jorra como se eu não importasse mais, não existisse mais, não fosse nada mais que aquela ferida...
Esqueci-me de viver e deparei-me com a infeliz verdade de não ser mais a criança alegre que todos adoravam, que todos mimavam constantemente e passei a ser eu quem mima incondicionalmente, quem chora por ouvir um único suspiro, quem se mata aos poucos em mil preocupações desnecessárias só para que nada falte aqueles que julgo amar... sim julgo amar... já não existe essa palavra moribunda a que todos se referem como certeza... para mim morreu... Instaurou-se em mim a dúvida do ser, do parecer, do sentir, do sofrer pois afinal de que vale tudo isso se não é por ceder a essas certezas que eu me transformo em quem verdadeiramente sou?
Sinto que de nada vale tentar achar essa dita certeza, afinal ela mesma é uma dúvida e leva-me a esquecer de viver...
E parei... e perdi... e esqueci...
Mas porque se recusa a dor em esquecer-se de mim?
1 comentário:
Gostei tanto!
"Mas porque se recusa a dor em esquecer-se de mim?" Esta frase tocou-me mesmo! :o
Beijinho*
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