
Foste um pássaro livre que voava alegramente nos céus do teu mundo, sem prisões, sem obrigações fúteis sobre nada mais do que aquela que te obriga a pensar em ti e a seres feliz...
Mas um dia isso mudou... encontraste uma janela entreaberta de onde uma figura esbelta se olhava ao espelho e te piscou o olha prendendo-te assim num êxtase de encanto puro e completo que consumia a cada segundo cada força do teu corpo e alimentava de espranças e alegrias vãs o teu coração e entraste pela janela... Não pediste autorização apenas entraste e quando acordaste desse êxtase inicial viste-te dentro de uma gaiola fria, suja, mas não te importaste mais pois o ser esbelto estava ali a olhar-te, a falar-te, a tratar-te como tu querias ser tratado para ele e isso para ti bastava... Não precisasvas mais de voar para ser feliz pois estavas feliz dentro daquela gaiola onde eras admirado e mimado pelo único motivo do teu viver, aquele ser esbelto que te tinha enfeitiçado completamente...
Os dias foram passando e tu continuaste a ser alimentado por esse feitiço, por esse amor que te aprisionava mais do que a própria gaiola e foste vivendo feliz, foste sorrindo, amando, brincando, esperando por um pouco mais desse ser, entregando tudo o que tinhas de melhor ao mesmo e ele continuava ali para ti, quase só para ti...
Até que veio um negro Inverno nos meses de Primavera e o ser não se mostrou a ti... Continuaste à sua espera todos os segundos de todos os dias em que ele não veio e assim se passaram semanas e o teu desespero aumentou...
Um dia ele voltou, e tu voltaste a sorrir, a tua felicidade voltou e esperaste que ele te voltasse a amar do mesmo modo mas ele apenas semi-abriu a porta da gaiola e foi-se embora... Deu-te a oportunidade de voltares a voar mas tu já não sabias como o fazer...
No Inverno que ele te impôs desaprendeste a voar, arrancaram-te as asas, ou melhor, tu próprio deste cabo das tuas asas pois foste arrancando as penas uma a uma e agora não podes voar mais...
O tempo continua a passar e as penas começaram a nascer mas tu hesitas em as rearrancar ou não pois ainda tens a esperança de que ele volte para ti...
Mas isto até quando??
1 comentário:
Revejo-me no texto. Porque será? xD
A isso eu chamo ignorância voluntária, que é o que o coração faz a uma pessoa...
E outra coisa, um pormenor... O pássaro não se limita a esperar, quieto. Ele faz estardalhaço, abana a gaiola, sai muitas vezes, e consegue chamar a atenção do ser estranho, nem que seja temporariamente. Um dia, ou o ser estranho se cansa de tudo aquilo, ou vai, depois de ralhar com o pássaro, vai olhar para ele e assumir que errou com ele.
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